quarta-feira, 7 de julho de 2010

A dois tamanhos


Porque a um passo dos corpos, ler as reportagens da Martha Gellhorn sobre "A Face da Guerra" (Ed. Dom Quixote) tem sido cada vez mais definido. Primeiro pareceram-me apenas leves e muito poeticamente escritas, até que foram ganhando uma clareza de precisão tão forte na procura desta correspondente de guerra, onde tudo se descreve com a sua memória e detalhes vermelhos.
Mas lê-la, recordando e alternando a leitura de "As Abelhas" por Eduardo Sequeira (Magalhães e Moniz - Editores), torna os insectos mais sublimes na distância nada humana como se organizam. Qual deles mais mecânicos, monumentais e cheios?
Espero que o nosso arado consiga ir buscar a estrutura e a dúvida na sua consciência aos dois.

domingo, 4 de julho de 2010

Árvores, Carlos de Oliveira (1921-1981)

Ilda David' , Tábuas de Pedra




Camponês, que plantaste estas árvores reais com pássaros vivos na verdura autêntica das ramagens, sabias bem que nada valem as asas fulvas e imaginárias nas florestas do tempo.
Tu sim, que concebeste todas estas folhas, flores e frutos, toda esta terra de harmonia -- no tamanho duma semente mais pequena que o coração das aves.

Trabalho Poético

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre "As Abelhas - tratado de apicultura mobilista", Eduardo Sequeria (1861-1914)

Como lavrar e pensar a estrutura dos insectos em abelhas, um começo. A leitura de um velho e amador livro sobre apicultura tem sido revelador de uma vontade cada vez maior de continuar. Do autor têm-me aparecido curiosas dúvidas sobre a mistura que faz de descrições poéticas e análises meio cientificas, mas fica o fascínio da pesquisa de um primeiro objecto enquanto base.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Damascos

 
Estamos no tempo dos damascos e estas duas últimas semanas foram dedicadas na apanha dele, e uma parte foi destinada a doce de damasco com canela que é muito apreciado cá por casa.
Também registamos algumas árvores que precisam de uma poda intensa, todas estas árvores estão sem qualquer tratamento há mais de 10 anos e como tal a necessidade de intervenção sobretudo em pessegueiros é muita, devida à lepra dos pessegueiros.

No entanto outras arvores estão de plena saúde como os damasqueiros e as figueiras que já dão graças dos seu primeiros figos!

sábado, 26 de junho de 2010

Como apanhar um enxame de abelhas

Encontrei este video que foi uma das minhas fontes e deixo aqui para que ajude mais alguem que queira salvar um enxame.



Quanto às colmeias pode fazer a sua ou comprar aqui.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fiação


Sempre achei lindissimo o movimento das fiadeiras que via nas pinturas que estudava em História da Arte, mais tarde voltei a elas não apenas pela beleza do movimento retratado, mas por a partir dele nascer o fio, a linha. A linha tem para mim um papel intensamente criador e poético e fiar surge então como um ritual.

A fiação iniciou-se no Neolitico quando as primeiras sociedades surgem, e era e é sobretudo praticado por mulheres. Ainda hoje em zonas rurais quase extintas podemos ver uma ou outra mulher ao serão a fiar, imagem também presente em Trás-os-montes, filme de Margarida Cordeiro e António Reis, que retrata a nossa individualidade de forma tão especial.


O fuso português trabalha como um pião rodando com a ajuda de três dedos, no caso da lã, os flocos são cardados e com o movimento entrelaçam-se criando o fio, a espessura depende da quantidade de flocos isto num fio simples, depois de fiado é dobado transformando-se numa meada e depois em um novelo estando pronto para ser tecido.

No voo do arado criamos as caixinhas de fiação que pertendem ensinar a fiar usando o nosso fuso. Dentro de cada caixinha existe um fuso português, lã de ovelha cardada/penteada e uma cabula simples e detalhada, esta cabula está em Português e Inglês, enviamos as caixinhas devidamente embaladas pelo correio.

Imagens: A Virgem Fiando 1420-30 Hungria; Fiadeira de Jean-François Millet , Fiadeira de Goya C.44

sábado, 8 de maio de 2010

Rumo a...


Tenho me dedicado à recolha de trabalhos e contactos para o projecto, visitei alguns locais onde pude conhecer e falar com pessoas que tentam preservar as nossas origens e recebi um convite muito simpático da Sra. Maria da Conceição Pereira para a visitar em Barcelos onde me apresentará o lugar onde tece as belíssimas toalhas que vende e contar-me as horas de dedicação em frente ao tear na companhia da sua cunhada. Em breve falarei aqui deste e de outros trabalhos.

Neste momento analisamos artigos e livros.
Encontramos uma colmeia com cerca de 80cm de comprimento e 30cm de largura e queremos prosseguir à identificação da raça, e à construção dos apiários para abrigarmos a colónia, o projecto está a ser muito interessante porque permite-nos não só ganhar mais conhecimento, até mesmo de subsistência, como perceber melhor as coisas à nossa volta e como podemos ajudar a uma tomada de consciência relativa à qualidade ambiental e bem-estar dos animais e principalmente à saúde, e afinal de contas serão muito bons os dias em contacto com a natureza. Para já rumaremos até pessoas que nos possam ajudar…