domingo, 3 de abril de 2011

Livraria do Lavrador

Aos mestres e aos discípulos...

« ... Dos jovens nascidos de familias agricolas que permanecem fiéis ao horizonte natal, poucos são os que podem procurar a escola distante. Por isso necessário se torna que a escola vá ao seu encontro e, abandonando fórmulas rigidas, se disperse e multiplique em focos avulsos e se insinue pelos pequenos nícleos de população rural, conquistando os espíritos, esclarecendo as aptidões e despertando as vontades para iniciativas fecundas...»

Mário Veríssimo Duarte, Conhecimentos da Natureza para o Curso Complementar de Aprendizagem Agrícola, 2ª Edição, 1962

Gosto de livros velhos, prefiro até as edições mais velhinhas, às últimas. Folhas esfolheadas, folhas amarelecidas com o tempo, que foram de outros. Estes vieram porque não lhes resisti, o da esquerda é da década de 60 usado no ensino complementar agrícola, fala-nos dos fenómenos atmosféricos, viaja por geologia percebendo o que é lavrar, as camadas pelas quais a terra agrícola é composta, na biologia passamos pelo bichinho da seda, pela cabra, o coelho, pelas plantas, as abelhas... e passa também pela física, o sistema de forças, onde os exemplos nos são dados com o carrinho de mão que temos que levar ou a faca de cortar bacalhau. E a capa deslumbrou-me, é das oficinas gráficas da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis.

Depois vem o livro da década de 20, um livro de trabalho, marcado com manchas do uso, meio enrolado pela humidade de uma suposta mesa onde se produziu manteiga ou queijo ou ainda se aprendeu a acondicionar o leite. Este será para uso directo no processo que quero fazer da produção da manteiga e queijo, faz parte das publicações do Lavrador, e era o numero XLI, a quem encontrar mais números destas publicações não se faça de rogado e diga. Eu e o Voo do Arado agradecemos!








quinta-feira, 3 de março de 2011

Batata, da Romano à Impérial


Depois da primeira experiência com meio quilo de batata biológica grelada e plantada, resolvemos comprar 2kg de batata Romana e 2kg de batata Impérial, na Cooperativa de Agricultores, que ficou a grelar no escuro e só então foi cortada de forma a cada pedaço ter 1 ou 2 grelos. Abrimos os regos, lançamos estrume curtido, colocamos as batatas e tapamos … teremos certamente muita batata... parte será para semente.



No fim do dia colhemos os primeiros rabanetes, e não nos esquecemos das urtigas (urtiga-branca) para ajudar a acalmar a tosse que tem andado cá por casa. Pegando no livro que o meu pai ofereceu à minha mãe há muitos anos e que agora faz parte da minha estante, “Plantas que curam” percebi que o chá de urtigas é muito bom não só para ajudar na cura da tosse com expectoração mas também para ajudar a regularizar os intestinos quer sofra de obstipação ou diarreia, é sempre bom saber mais! Mas aconselho a aromatizar com limão ou gengibre uma vez que tanto o aroma como o paladar são um pouco ou um tanto peculiares… diria que… cheira a lã de ovelha.






domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cobertores de Papa ou Mantas Lobeiras




Os Cobertores de Papa eram os preferidos das nossas avós para nos aquecer nas noites frias de Inverno e eram também usados pelos pastores que protegiam-se assim do frio da madrugada.

São produzidos no concelho da Guarda num sítio chamado Massainhas, só já existe uma única fábrica, a única em todo o Portugal. O tecelão é um senhor com 77 anos, que fala dos tempos em que os cobertores eram exportados para o Brasil ou para a África do Norte, que conta como era fácil encontrar a lã churra usada para estas mantas lobeiras, uma lã mais comprida, grossa e macia que permite ao cobertor ter depois o seu aspecto característico com pelinho, mas hoje em dia já não é assim e apenas consegue encontrar alguns quilos desta lã. A ovelha churra é oriunda de Idanha-a-Nova, Monsanto e Medelim mas encontra-se também em extinção.
Na fábrica, o tear é de madeira, tece estes cobertores que depois de cortados vão aos pisões para feltrar e depois são cardados sendo por fim secos. Temos no fim os nossos cobertores que pesam, em média, três quilogramas e medem 170cm de largura e 240cm de comprimento.

Obrigado Sr. José Freire por continuar a dar vida aos nossos Cobertores de Papa.


                                Cobertor de Papa Branco, 70€

                                Cobertor de Papa Riscado, 75€





sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ovelha campaniça: Preservação da raça em extinção pode passar por produção biológica ou integrada


A ideia de voltar a ter ovelhas na quinta veio desde logo com o projecto, produzir queijo, ter a nossa lã, pastorear. A nossa preferida é a Campaniça, por raizes Mertolenses, pela boa lã macia, pelo bom leite, por ser autoctone do nosso território e para ajudar a preservá-la do risco da extinção eminente. O que ainda desconheciamos, até ler o artigo que se segue da Lusa, é de como a agricultura biológica pode vir a ter um papel fundamental na sua preservação.

"A preservação da ovelha campaniça, raça autóctone do Sul do distrito de Beja em risco de extinção, pode passar pela criação de rebanhos através de produção biológica ou integrada, defendeu hoje o secretário técnico da raça.
A "extrema resistência" da ovelha campaniça a doenças e às condições adversas da região onde é explorada e o seu papel agro-ambiental, "fundamental" para preservar pastagens extensivas, são "oportunidades" para o futuro da raça, disse Claudino Matos, da Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS).
Por isso, a raça "adapta-se" e "pode ser produzida e preservada através de modos de produção integrada ou biológica", que são "promovidos" pela Política Agrícola Comum (PAC) e "incentivados" pelo Programa de Desenvolvimento Rural (Proder), frisou."



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011