quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Primeiro a branca depois a preta….

Circulo de Juan Fernandez, el Labrador, Séc. XVII   fonte: MatrizPix

De norte a sul, no mês de Setembro dá-se a colheita da uva. Os tons quentes do Outono aproximam-se, os figos maduros, os bagos dourados e pretos... e num singelo acto de colher toca-me na fronte a luz poente…


A videira é das plantas frutíferas mais conhecida desde a Antiguidade, estando presente em fosseis pertencentes a períodos geológicos anteriores ao surgimento do homem.
É provavelmente originária da Ásia tendo sido introduzida na Europa pelos Gregos, mas é aos Romanos a quem se deve o abastado comércio vinícola, enchendo as paisagens mediterrânicas de videiras. O vinho surge quase que instintivamente, as uvas eram delicadas e rapidamente se decompunham, por outro lado o alto teor de açúcar que contêm faz delas um fruto excepcional uma vez que aliado à fermentação gera uma bebida com teor alcoólico variável, nasce o vinho de fruta mais conhecido e apreciado, o vinho de uva.

Ilha do Pico, Portugal

A vindima ocorre sazonalmente, sobretudo no mês de Setembro. Em outros tempos as quintas enchiam-se de gentes que vinham ajudar na colheita, vinham de ranchos locais e da boa vizinhança, serviam-se de uma tesoura e de um cesto de vime. Com o tempo os cestos de vime foram sendo substituídos por "cestos" de chapa zincada e por fim de plástico.
As vinhas também sofreram alterações, deixaram de surgir de forma desordenada para dar lugar a cepas alinhadas e com carreiros com largura suficiente para a passagem de máquinas agrícolas, maquinas essas que vieram substituir grande parte do trabalho feito por gentes e vagarosos carros de bois. 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Uvas em Setembro

No mês do fruto da videira em estado maduro de contacto com a boca. O colher de um trabalho cuidado com cada cacho, num apanhar prático para que se aproveite e se transforme em sabor.








terça-feira, 31 de agosto de 2010

Workshop Faça Agricultura Biológica no seu Quintal!


O Núcleo da Quercus de Braga vai levar a cabo uma acção de formação sobre Agricultura Biológica dirigida à manutenção de quintais particulares, a ter lugar na Quinta Pedagógica de Real, Braga. Esta decorrerá ao longo de seis sessões, nos seguintes sábados: 18 e 25/Setembro, 6, 13 e 27/Novembro e 11/Dezembro, das 14h30 às 17h30.


A Agricultura Biológica é um modo de produção amigo do ambiente e da saúde do consumidor. Contudo, para obter produtos de boa qualidade é necessário conhecer um conjunto de técnicas que permitem melhorar o solo, controlar as pragas e as doenças e promover a sustentabilidade, sem recorrer ao uso de produtos químicos de síntese.


Preços:

- Sócios: 48€

- Não Sócios: 60€


Observações:

- As últimas sessões passíveis de sofrerem alteração em virtude das condições climatéricas.

- As inscrições deverão ser feitas até ao dia 8 de Setembro de 2010.

- Limite máximo de 10 formandos.


Inscrições:

Em ficha própria a solicitar ao Núcleo de Braga da Quercus, Urbanização das Andorinhas, loja 7, 4700-359 BRAGA ou pelo correio electrónico braga@quercus.pt. A taxa de inscrição é de 48€ para sócios e 60€ para não sócios.

Download da ficha de incrição, aqui!



Mais informações: através do telefone 253276412 (só às quintas à partir das 21h) ou telemóvel 927986133.


Temáticas:

1. A Agricultura Biológica

- História

- Conceitos

- Situação actual de Portugal

- Distribuição de tabelas técnicas



2. A importância das hortas na cidade

- Vantagens

- Inconvenientes

- Oportunidades

- Limitações



3. A nossa Horta

- O solo

- A água

- O clima;

- Culturas antecedentes (reconhecimento destes aspectos no terreno)



4. A Compostagem

- Conceito

- Vantagens

- Factores condicionadores;

- Como fazer: iniciar, manter o processo e maturação do composto;

- Escolha do compostor;

- Materiais que podem e não podem ser compostados;

- Solucionar problemas existentes;

- Como aplicar o composto.



5. Elaboração de uma pilha de campostagem



6. Preparação do solo

- Mobilizações de Inverno;

- Alfaias agrícolas mais convenientes;

- Aditivos orgânicos (estrumes etc.);

- Adubação verde (sementeira de culturas para sideração: ervilhaca, tremocilha, trevo…)

- Sementeira de culturas melhoradoras: centeio, aveia…



7. Sementeiras e plantações

· Sementeira em tabuleiro e em local protegido: (cebolas, cebolinho, salsa, coentros…)

· Sementeira em local definitivo: (sementeira de nabos e nabiças)

· Plantação de couve portuguesa, couve-brócolo, couve flor



8. Meios de luta contra pragas e doenças

- Luta biológica

- Barreiras físicas contra pragas

- A utilização de plantas aromáticas na horta

- Sebes



9.Meios de luta contra infestantes

- Cobertura do solo

- Falsa sementeira

- Monda térmica

- Monda mecânica

- Outras técnicas usadas em AB



10. Colheita e armazenamento

- Conceitos e práticas adequadas;

- Programação de novas sementeiras e plantações;

- Armazenamento de sementes.



11. Finalização do curso

- Conclusão

- Avaliação



Fonte: Quercus

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ovelhas e Borreguinhos de Montemuro


Acabadinhas de chegar da Serra de Montemuro vieram: ovelhas, borreguinhos e os fusos artesanais em madeira de urze, talhados por gentes conhecedoras da terra e de como tirar o melhor proveito dela!
Em breve chegarão meias tricotadas à mão, para o Inverno e rocas para a lã. Estamos já a trabalhar na caixinha das meias: agulhas, lã e instruções para fazer as suas próprias meias como as nossas avós aprendiam com as mães ou na escola em lavoures.

As ovelhas e borreguinhos em madeira e lã natural nascem na serra de Montemuro. Eram já em outros tempos brinquedos da terra, mas começaram a despertar a atenção de quem por lá passava, que não conseguia ficar indiferente e gracejava com os seus pormenores deliciosos. Eu também não resisti a trazer a minha ovelha e borrego, assim como também não resisti em encomendá-los para O Voo do Arado, por isso estão à distância de um e-mail para quem tal como eu não fica indiferente ao que ainda brota da nossa deliciosa vida rural.  




Ovelhas e Borreguinhos de Montemuro

As ovelhas e os borreguinhos da serra existem em branco, castanho e malhadas (brancas com malhas castanhas ou castanhas com malhas brancas)

ovelhas têm aproximadamente 13cm, 10€             
borreguinhos aprox. 8cm, 6.50€





sábado, 7 de agosto de 2010

Os herbicidas em espaços verdes urbanos

                          imagem CML

Os herbicidas são um problema que pode ser letal para a saúde humana e animal, atacando directamente a biodiversidade. É necessário requalificar os nossos espaços verdes de forma a livrarmo-nos das acções químicas que podem matar animais, contaminar lençóis freáticos e serem responsáveis pelo desenvolvimento de doenças graves, como insuficiência renal, hepática e cardiaca, quer em adultos quer em crianças.

São comuns os animais domésticos que sofrem envenenamentos por se purgarem com ervas contaminadas nas zonas verdes próximas às nossas casas, mas não são apenas os herbicidas, os raticidas colocados junto às sarjetas são também perigosos, uma vez que acabam por serem transportados nos pêlos e patas dos animais que durante a sua higiene os ingerem, ao lamberem-se. A existência deste tipo de produtos provoca incompatibilidade com os nossos animais de companhia por se tornarem inexistentes os locais seguros para os passear. Também os pastores urbanos, já raros nos tempos que correm, vão sucumbindo por falta de espaços verdes não contaminados, umas vez que os herbicidas são também aplicados nas porções de solo existentes perto das estradas.

A manutenção técnica e térmica para controlo das ervas daninhas, é uma aposta presente em países prósperos como a Dinamarca combatendo assim o uso de herbicidas.



             Hyde Park em Londres
             London Photo (c) Linda Garrison


É importante reter que as ervas e plantas que crescem espontaneamente não são obrigatoriamente inestéticas, é necessário reaprender e apostar nos jardins biodiversiveis, compreendendo que a importação da relva deve ser comedida,  preservando o nosso ecossistema, uma vez que não temos o clima existente nos jardins de Londres que por motivos naturais não necessitam de qualquer sistema de rega, mas no nosso clima mediterrânico as coisas já não se processam desta forma, levando a gastos excessivos de água, e à contaminação dos solos por uso de fertilizantes químicos. É ainda importante reter os benefícios na aposta em jardins biodiversíveis; não só são muito mais económicos pois não são necessários tantos “sacrifícios” para os manter sustentáveis, como não necessitam dos gastos de água que um jardim “importado” requer.

Se a nível dos espaços urbanos os herbicidas apresentam estes perigos, imagine as consequências do uso destes mesmos químicos em produtos hortícolas e frutícolas, uma vez que é comum a aplicação de herbicidas por aviões agrícolas contaminando indiscriminadamente e atacando toda a flora e por consequência toda a fauna existente.


Sugestão: artigo da Quercus

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ameixas em Julho




Julho é o tempo de ceifar o feno, que será usado para tapar os morangueiros e protege-los do tempo frio, também é importante para alimentar animais e para a compostagem.

Mas também é tempo de fruta, e na nossa quinta é tempo de ameixas. Depois dos damascos foram elas que encheram algumas caixas e que nos sujaram os pés enquanto tentávamos chegar ao galho mais alto.

As ameixeiras ou ameixoeiras pertencem ao género e subgénero Prunnus, são da família das Rosáceas e podem ser roxas, vermelhas ou amarelas, o caroço é praticamente liso e é rica em açúcar, sais minerais (cálcio, fósforo, ferro e potássio) é também uma fonte de fibras, e de vitaminas C e B, e além de tudo é muito saborosa e sumarenta ideal para as tardes quente de Julho, em especial quando acabada de colher da árvore. O nosso ameixial tem oito árvores mas é bem provável que venha a aumentar.
A nossa espécie é a ameixeira europeia, também conhecida por prunus doméstica, é provavelmente oriunda do Sul do Cáucaso e foram os gregos e os romanos que as trouxeram até nós. Esta espécie exige o frio hibernal, o que influência a sua distribuição geográfica.





 

domingo, 18 de julho de 2010

Tingimento natural de lã


Resolvi fazer algumas experiências dentro do processo natural de tingimento, e a primeira coisa que me ocorreu foi, urucum, usado pelos índios Arawete para tingir as suas roupas de vermelho.
Também me recordei que enquanto aprendi a fiar anotei algumas informações preciosas tais como; a fórmula para tingir e alguns corantes naturais, como a raiz de rubia, ou o açafrão, e comecei então por esta primeira experiência, mas existem outras aliás são, diria que, infindáveis porque quanto mais leio sobre corantes naturais mais formas encontro de obter cor, usando vegetais como as cascas de amendoins, de cebola, de favas, de laranjas, de maracujás e de nozes; os ouriços das castanhas; as folhas de amoreira (amoras) e de mangueira; o chá (teina) e o café; a serragem de eucalipto, assim como folhas e frutos e sem esquecer de referir a existência de corantes provenientes da fauna como os caracóis (Murex sp, Púrpura lapillus e Murex brandasis) através dos quais extraímos o púrpura, ou os cochonilhas (insectos, pragas que atacam praticamente todas as plantas) que dão o vermelho. E ainda os corantes extraídos de minerais como o mítico lapiz-lazuli, ou ainda as argilas variadas entre tantos outros corantes naturais.

O tingimento das lãs é sempre feito a quente. O uso de corantes naturais não tem os efeitos nefastos para o nosso organismo que o tingimento com corantes químicos possuí, e é eficaz.
Também é importante reter que o tipo de panela influência na cor, por exemplo, as panelas de cobre e ferro resultam em tingimentos mais escuros.

Deixo aqui a receita que uso para tingir:

Para 100g de lã usei 20g de Alumen (murdente), 5g de Cremor de Tartaro (estabilizador da cor) e a água necessária para cobrir a lã, que ferveu durante 1h neste banho com a finalidade de abrir os filamentos da lã e de vir a estabilizar a cor que essa lã vai receber, ao mesmo tempo coloquei água em outra panela e o elemento que usei para tingir, no meu caso, coloquei açafrão e rubia (a rubia deve ficar 2horas em água para a raiz abrir), depois do primeiro banho de uma hora, passa-se ao segundo que irá durar também uma hora. Dependendo da lã as cores vão variando de intensidade, assim como também influência a panela onde se faz o tingimento.
A lã deve secar aberta sobre uma rede, por exemplo, para evitar que o fio sofra variações de espessura com o peso da água e seque mais rápido.

O resultado obtido foi este:




A Rubia tinctorum, é a rubia mais comum em tingimentos e encontra-se em estado selvagem na Palestina e no Egipto, e é muito abundante na Ásia e na Europa. O corante está concentrado nas raízes da planta principalmente nas raízes mais antigas, que se arrancam limpando a terra, secando e cortando em pequenos pedaços.
Com a rubia podemos obter um vermelho intenso conhecido por "vermelho da Turquia". É um corante muito popular no Médio Oriente, tendo sido identificado em túmulos egípcios e em tecidos encontrados na Judeia.

O Açafrão é extraído de uma planta com o mesmo nome e pode dar tons como amarelo dourado ou vermelho acastanhado, é uma planta originária da Grécia e Itália mas que já se encontra no Sul de França, Espanha e Turquia.